Recursos didáticos auxiliares (Casos para aulas)

 

 

Fraude no Societe Generale
 
 
Tópicos explorados: Derivativos, Compliance, Regulação, Fraude.

Adriano Leal Bruni
albruni@minhasaulas.com.br

 

O início do estudo mais aprofundado de Finanças requer a discussão dos objetivos que perseguimos no processo de gestão financeira. Geralmente, espera-se que bom gestor financeiro crie valor.

O problema, na prática, é o "para quem". Administradores financeiros mal controlados podem desejar criar valor para si próprios.

Leia as informações apresentadas a seguir e tente responde às perguntas que eu formulo a seguir.

 

Analisando a fraude do Société Générale.

Disponível em: <http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080125/not_imp114827,0.php>. Acesso em 08 ago. 2008.

Uma fraude de US$ 7 bilhões. Guarde este nome: Jérôme Kerviel. É o jovem francês que causou o maior prejuízo da história do Société Générale. Por MÁRCIO KROEHN.


Por essa os executivos do Société Générale (SocGen) não esperavam. Depois de contabilizar um prejuízo de € 2,05 bilhões com aplicações malsucedidas no mercado imobiliário de alto risco dos EUA (subprime), o segundo maior banco francês amargou uma perda de € 4,9 bilhões (US$ 7,1 bilhões) por conta de operações fraudulentas de um “simples” operador de mercado futuro, Jérôme Kerviel. A descoberta dos desvios foi anunciada na quinta-feira 24 pelo presidente do SocGen, Daniel Bouton. O executivo pediu desculpas, cortou os bônus dos funcionários e suspendeu o próprio salário até junho. “Não suspeitávamos de nada”, lamentou.

O jovem Kerviel, 31 anos, trabalhava no banco desde o ano 2000. Com sua proeza, conseguiu desbancar o célebre Nick Leeson, o operador que quebrou o Barings Bank – um banco inglês de 230 anos –, em 1995, com fraudes de US$ 1,38 bilhão em operações no mercado futuro e de derivativos. Leeson escreveu um livro e virou tema de filme em Hollywood. Kerviel, dada a magnitude de sua fraude, virou celebridade instantânea no mundo das finanças internacionais. Assim que sua foto apareceu no site do jornal Financial Times, ele foi chamado de “herói” por um leitor, um certo Hitesh Shah. Outro, sob o pseudônimo de Conan, o Bárbaro, tocou na ferida: “Bode expiatório ou vilão?” Segundo o banco, o funcionário agiu sozinho.

 


Foto de Kerviel circulou em sites de jornais como o francês Le Monde.


Ele burlou procedimentos de segurança e controle e assumiu compromissos em volumes muito superiores à sua alçada. Enquanto os chefes achavam que o jovem fazia operações triviais (plain vanilla) nos mercados de derivativos de índice de ações, ele construía posições perigosas. Se dessem certo, seus bônus seriam maiores. Em pleno terremoto financeiro global, as fraudes foram descobertas e os contratos, liquidados. Um providencial aumento de capital, de € 5,5 bilhões, foi anunciado para as próximas semanas. O banco não quebrou, como o Barings, mas já sente os efeitos da inevitável desconfiança do mercado com seus controles de risco. A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota do SocGen para dívida de longo prazo de AA para AA-. Até quinta-feira à noite, Kerviel continuava desaparecido.

 

 

Société Générale perde prestígio após fraude de US$7 bilhões

Disponível em: <http://www.estadao.com.br/economia/not_eco115061,0.htm>. Acesso em: 08 ago. 2008.

Por Tim Her, da Reuters.

O banco francês Société Générale enfrentou duros questionamentos na sexta-feira sobre como falhou em detectar o maior escândalo financeiro da história no qual um único operador provocou a perda de 7 bilhões de dólares.

 

O Société Générale conseguiu angariar um aporte de capital de 5,5 bilhões de euros (8,06 bilhões de dólares) com a ajuda de seus rivais, mas a questão entre analistas e jornais era por quanto tempo o segundo maior banco francês continuaria independente.

Em anúncios de página inteira nos principais jornais franceses, o presidente da instituição, Daniel Bouton, pediu desculpas aos acionistas do banco, enquanto alguns veículos da imprensa colocavam em dúvida a duração da permissão dada pelo conselho do banco para que Bouton continue no cargo.

"Entendo perfeitamente o desaponto e a raiva de vocês. Esta situação é completamente inaceitável", escreveu Bouton. "Peço que aceitem minhas desculpas e meu profundo pesar."

Investidores mundiais em geral minimizaram o escândalo. As ações no mercado asiático subiram após um fechamento em alta em Wall Street, provocado pela aprovação de um pacote de estímulo econômico nos EUA pelo presidente do país, George W. Bush, e por líderes do Congresso.

O principal jornal diário sobre economia da França, o Les Echos, classificou o desfalque como "o choque que espantou o mundo financeiro", argumentando que a posição de Bouton havia sido enfraquecida e o banco --7o maior na zona do euro em valor-- era agora um alvo potencial para aquisição.

Os funcionários do Société Générale estavam "chocados e em modo de espera", afirmou um dos empregados do banco em Hong Kong.

O porta-voz do banco, Laurent Tison, disse que os gerentes explicavam a situação para suas equipes, enquanto o banco também procurava manter contato com os clientes.

O paradeiro do trader que desprestigiou uma das instituições mais antigas e respeitadas da França era desconhecido.

De acordo com seus colegas de trabalho, o nome do fraudador era Jerome Kerviel, 31 anos, mas o Société Générale se recusou a confirmar esta informação e disse não saber onde ele estava. O banco disse que um empregado júnior em sua mesa de negociação de derivativos, que recebia menos de 100.000 euros por ano, confessou ter realizado uma sofisticada fraude, provocando 4,9 bilhões de euros em perdas quando suas desastradas negociações foram canceladas nos mercados violentamente voláteis.

A advogada Elisabeth Meyer, que disse representar o operador desaparecido, disse em uma entrevista de televisão que ele não havia fugido e conversaria com a polícia caso convocado.

O banco rival BNP Paribas estimou que a exposição do Societé Générale havia sido da ordem de 33 bilhões de euros e outros questionaram se o negociador havia sido usado como uma desculpa para ocultar problemas mais graves no banco relacionados à crise de crédito.

O Banco da França disse que o Société Générale era "sólido", mas a revelação do escândalo trouxe de volta lembranças do colapso do banco britânico Barings, em 1995, provocado por fraudes do operador Nick Leeson.

 

Operador da Societé Générale provoca prejuízos demolidores


Por Nelson D. Schwartz, do The New York Times
 

Disponívelm em: <http://www.estadao.com.br/economia/not_eco115229,0.htm>.Acesso em 08 ago. 2008.

Jerome Kerviel provocou prejuízos que deixaram um buraco de US$ 7,2 bi nas contas do banco

 


PARIS - No saguão da bolsa de valores francesa, onde as mentes mais brilhantes da França arquitetam alguns dos mais complexos instrumentos de finanças globais, poucas pessoas tinham conhecimento de Jerome Kerviel.

Ele era um afortunado por chegar até ali. Muitos dos seus colegas vinham das prestigiadas Grandes Écoles - as Harvard e MITS da França, diplomados em matemática ou engenharia. Kerviel saíra de uma escola de comércio e começou sua vida profissional fazendo serviços burocráticos na área administrativa.

Mas na quinta-feira o mundo tomou conhecimento de Kerviel, 31 anos, que ficou famoso como o mais perigoso fraudador da história, um jovem jogador que se viu sugado numa espiral de prejuízos que deixou um buraco de US$ 7,2 bilhões nas contas da Societé Générale, um dos maiores e mais respeitados bancos da França.

De acordo com o banco, um funcionário de nível intermediário na administração, - identificado como Kerviel - durante um ano conseguiu burlar extratos de controles de computador e auditorias, acumulando perdas com operações não autorizadas. Kerviel, aparentemente, dissimulava as suas posições graças a uma montagem de operações fictícias para cada uma das ordens autênticas que colocava.

Embora os executivos da Societé Générale digam que Kerviel agiu sozinho, muitos questionam como isso foi possível, dada a dimensão dos prejuízos.

"Existem muitos grandes cérebros na Societé Générale; portanto, é difícil acreditar que os sistemas de gerenciamento de risco e todos os auditores não tenham assinalado alguma coisa, em algum nível" , disse Helyette Geman, professor de matemática financeira da ESSEC, conhecida escola de administração francesa, e professor da Universidade de Londres.

Reputação

São eventos surpreendentes em se tratando da Societé Générale que, a partir de meados da década de 80, tornou-se um poderoso banco global operando com derivativos como futuros e opções.

"Na França consideramos a Societé Générale um banco mágico", comentou Geman.

Ao contrário de muitas instituições bancárias de Wall Street, o banco francês até agora parecia navegar em meio à tormenta que atingiu os mercados financeiros com sua reputação intacta. A edição de janeiro da revista Risk, magazine mensal voltado para o gerenciamento de risco e derivativos, considerou o banco "a empresa do ano no campo dos negócios com derivativos".

Mas Kerviel, descrito pelos executivos do banco como um operador júnior retraído, e não se enquadrava no padrão dos operadores da Societé Générale. O banco recruta grandes talentos nas mais respeitadas escolas de ciências e engenharia do país, em Paris.

Kerviel cresceu na região da Bretanha, a oeste da França, e freqüentou a universidade de Lyon. Ingressou na Societé Générale em 2000, como escriturário, processando e registrando as operações realizadas em bolsa.

Em 2006 ele passou a operador na bolsa, especializando-se em arbitragens, fazendo as apostas com base nas pequenas diferenças entre as vários indexes das bolsas européias, como o CAC da França e o DAX da Alemanha.

 

 

Operações são consideradas simples na bolsa

Por Patrícia Lara

Disponível em: <http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080125/not_imp114827,0.php>. Acesso em 08 ago. 2008.

As operações "plain vanilla", executadas de forma fraudulenta pelo operador do banco francês Société Générale, são a forma mais básica de instrumento derivativo, usando contratos futuros, swaps ou opções. "É uma operação mais simples, com apenas uma data de vencimento e um preço de exercício, é uma típica opção negociada em bolsa", explica o professor de derivativos da Fundação Instituto de Administração, Leonel Molero. Essa operação se opõe a um derivativo exótico, que possui mais recursos, como knock-in, knock-out, barreiras e são mais comuns no mercado de balcão.

 

Perguntas:

a) Qual o principal problema vivido pelo banco?

b) Qual a associação entre o problema do banco e os objetivos de finanças?

c) Como entender o problema sob o ponto de vista do trinômio retorno, tempo e risco?

d) O que deve ser feito para evitar que problemas similares ocorram novamente?

 

   

Comentário do autor para professores e alunos:

Os livros As Decisões de Investimentos e Avaliação de Investimentos discutem quais os objetivos das decisões financeiras. Estude o conteúdo dos livros e tente identificar os principais aspectos trazidos pelos livros e apresentados nas notícias sobre a empresa em questão.

 

Referências:

Informações complementares podem ser vistas nos links apresentados nas reportagens.