Recursos didáticos auxiliares (Casos para aulas)

 

 

Os Mandamentos de Saraiva
Parte V: Estratégia e Estratégia Emergente!
 
 
Tópicos explorados: Estratégia empresarial, Estratégias Emergentes.

Adriano Leal Bruni
albruni@minhasaulas.com.br

 

A estratégia possibilita que os negócios construam melhores futuros. Analise as informações apresentadas a seguir e responda ao que se pede.

Obstinado pelo bom negócio!


Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG79886-5856,00-OBSTINADO+PELO+BOM+NEGOCIO.html>. Acesso em: 27 jul. 2008.

Conheça a história do português que perdeu o pai assassinado aos 19 anos, virou dono da segunda maior rede de fast food do país e agora prepara uma nova guinada em sua empreitada italiana

Por LAILA ABOU MAHMOUD

Aos 19 anos, Alberto Saraiva decidiu não desistir. Irmão mais velho de três irmãos, ele decidiu assumir a padaria do pai, assassinado em um assalto, e colocou-a de pé. Hoje, 35 anos depois, é dono de doze empresas que fornecem a matéria-prima e serviços para uma série de processos e serviços da sua rede, o Habib's. A rede, como o próprio empresário faz questão de ressaltar, é a maior - e talvez a única - marca de fast food de comida árabe do mundo. São 300 unidades espalhadas pelo país e um faturamento de R$ 900 milhões anuais.

O empresário prepara-se, agora, para uma arrojada iniciativa de tentar repetir, com a comida italiana, o sucesso que alcançou com as esfihas. Até o final do ano, o Ragazzo, como é chamado, deve ter 15 lojas abertas, número que deve pretende dobrar no ano que vem. Será mais um desafio para esse português nascido em Veloza, uma aldeia do norte de Portugal, que chegou ao Brasil muito cedo e instalou-se em Santo Antônio da Platina, interior do Paraná. Foi lá que começou a treinar seu potencial para o comércio, revendendo os doces do pai. Aos 17 anos, já em São Paulo, prestou o vestibular para Medicina. Foram três tentativas até entrar na Santa Casa e dois anos a mais do que o normal para concluir o curso. Isso porque ele entremeava semestres de aulas com períodos em que trancava a matrícula para cuidar da padaria da família, no bairro do Belenzinho.

O pai era um grande incentivador da carreira do filho como "doutor", mas a experiência que proporcionou ao filho na infância foi determinante para que ele deixasse o jaleco de lado. Já aos 14 anos, Saraiva saía, ao lado de um motorista, vender os doces de seu pai nas cidades vizinhas. Foi aí que começou a notar seu faro para os negócios, sua marca registrada desde então. "Cheguei a vender um negócio antes mesmo de abrir", diz. Na seqüência de negócios como pastelarias, lanchonetes e pizzarias, resolveu abrir uma lanchonete na Lins de Vasconcelos. Ainda sem decidir a especialidade da casa - os cardápios de seus empreendimentos, até hoje, são um apanhado das experiências anteriores - conheceu Paulo Abud, um cozinheiro aposentado que por muitos anos trabalhou na 25 de março. Foi ele quem o apresentou às especialidades árabes, como a esfiha, o tabule, o homus e a coalhada. Em 1988, nasceu o primeiro Habib's, na Cerro Corá, em São Paulo.

 
No processo de expansão, Saraiva chegou a ter sete lojas no México, em um processo de internacionalização que foi abortado. O negócio para a abertura de lojas nos Estados Unidos já estava fechado quando, 20 dias depois, aconteceu o atentato de 11 de Setembro, que colocou os muçulmanos - e, por tabela, a cultura árabe - como alvos de ações de preconceito. Outra dificuldade importante ao abrir lojas fora do Brasil foi contratar mão-de-obra. "Era difícil encontrar pessoas com o engajamento necessário", diz.

E o comprometimento exigido por Alberto não é pouco. Os funcionários são classificados em um ranking e até um vestibular ele implantou. O conteúdo de seu livro "As 77 regras de como administrar a loja Habib's", que circulou internamente entre gerentes, foi alvo de aulas e de uma prova. Os primeiros colocados no teste ganharam prêmios como carros zero quilômetro e viagens a Buenos Aires. Os reprovados farão agora uma recuperação sobre o que ele chama de "bíblia operacional" de uma unidade.

Para quem não é funcionário de suas empresas, Saraiva escreveu um livro, chamado "Os mandamentos da Lucratividade". Baseado nele, faz uma palestra-show em pela qual cobra, dependendo do local do evento, de R$ 35 mil a R$ 70 mil. O valor é doado à Santa Casa. Entre uma dica de como obter lucro e outra, Saraiva monta um prato com suas especialidades culinárias e dançarinas árabes ocupam o palco. Casado e pai de quatro filhos, Saraiva aposta que seus negócios serão assumidos pela filha mais velha, Bruna, que presta este ano vestibular para administração. "Ela é obstinada", diz ele, com orgulho. "Ninguém trabalhava mais do que eu". Quando inaugurou a loja na Cerro Corá, a rotina de Saraiva era ficar das 11h às 24h na loja e cumprimentar seus clientes pelo nome. Da cozinha para o salão, Saraiva já fez de tudo. "Nenhum funcionário trabalhava mais do que eu", costuma afirmar.

Na loja em que foi entrevistado, na esquina - claro - da rua Charles Spencer Chaplin com a Dummont Villares, no Morumbi, em São Paulo, ele garante que o movimento já atinge 30 mil pessoas ao mês. A loja, inaugurada em março de 2006, é gerida por Domingos Pereira. O hoje gerente da loja começou como lavador de copos em 1988, na loja de Cerro Corá e já passou por todas as funções que podia, incluindo, garçom e caixa. "Sempre que vejo potencial numa pessoa, quero que ele seja um sócio meu, mesmos sem dinheiro. A dificuldade das empresas é gente com perfil de liderança". Pereira discute números com Saraiva entre uma pergunta e outra da entrevista um intervalo e outro da entrevista. "Quem recebe oportunidades retribui com resultados", garante.

 

Perguntas:

a) Qual a estratégia do Habib´s?

b) Qual a estratégia emergente surgida e seguida pelo Habib´s?

 

 

      

Comentário do autor para professores e alunos:

Os livros A Administração de Custos, Preços e Lucros e Gestão de Custos e Formação de Preços discutem os principais aspectos relativos à Contabilidade Gerencial e à análise de custos e preços para a tomada de decisões.

 

Referências:

Informações complementares podem ser vistas no link:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG79886-5856,00-OBSTINADO+PELO+BOM+NEGOCIO.html