Recursos didáticos auxiliares (Casos para aulas)

 

 

Educação com custos baixos e volumes altos
Uma análise da gestão de custos em instituições de ensino
 

Tópicos explorados: Gestão de Preços, Análise Custo, Volume e Lucro.

Adriano Leal Bruni
albruni@minhasaulas.com.br

 

A gestão estratégica de custos é fundamental na estratégia das organizações. Leia as informações apresentadas a seguir e responda às perguntas formuladas.

Educação na mira do investidor
 
Disponível em: <http://www.bovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/106/Empresa.shtml>. Acesso em: 30 jul. 2008.
 
Por Jorge Wahl

O Brasil ainda ganha notas baixas ao buscar soluções para os graves problemas na área da educação, mas é das salas de aula das faculdades privadas que começam a surgir boas notícias para os investidores. Entre 1997 e 2005, as matrículas em cursos de ensino superior aumentaram de 1,9 milhão para 4,5 milhões, segundo dados oficiais. A taxa composta de crescimento anual foi de 10,9%.

Embora não haja estatísticas mais recentes, especialistas acreditam que o número de universitários do País já supera 5 milhões. Destes, dois terços estão em escolas privadas. O Brasil é o quinto maior mercado educacional do mundo, só perdendo em número de pessoas para a China, Estados Unidos, Rússia e Índia, mas é o que exibe maior expansão.

Ainda melhor, o potencial parece longe de se esgotar. Apenas 11,3% dos jovens teoricamente em idade de cursar uma universidade de fato estão numa faculdade, comparado a 61% na Argentina e a 43% no Chile, e muito abaixo da meta do governo federal para 2010, definida em 30%. A Anhangüera Educacional busca se beneficiar desse ambiente de crescentes oportunidades, o que explica seu ritmo de crescimento.


A empresa tem evoluído aos saltos. Situada entre as três maiores redes de ensino superior do País (as outras duas são a Estácio de Sá e a Unip), a Anhangüera registrou um aumento médio anual em sua receita liquida de 55,9%, em 2005 e de 38,4%, em 2006. No ano passado, fez sua primeira oferta primária de ações, em março e elevou a receita em 143%. Em abril de 2008, voltou ao mercado para captar mais recursos e assegurar a expansão. “Com isso, passamos a dispor de todo o financiamento necessário para continuarmos crescendo desse jeito”, resume Ricardo Scavassa, diretor de Relações com Investidores da companhia.

Recursos não deverão faltar. Em 2007, o lançamento de ações no mercado primário propiciou a captação de R$ 360 milhões e, neste ano, mais R$ 508 milhões foram levantados. A esses valores deve ser somada, enfatiza Scavassa, uma geração de caixa medida pelo Ebtida (lucro antes do pagamento de juros e tributos e sem contar a depreciação) de R$ 64 milhões, em 2007.

Estes montantes traduziram-se em mais salas de aulas: somente no exercício passado os investimentos totalizaram R$ 559 milhões, segundo o diretor de RI.

Mas os recursos não são tudo, contrapõe Paulo Klini, responsável pela área de renda variável da Western Asset Management: “A empresa é uma das melhores gestoras desse tipo de negócio no Brasil, entre outras razões porque tem, de um lado, a disciplina de um grupo financeiro, o Pátria, e de outro a expertise de professores experimentados, Antônio Carbonari Netto e José Luis Poli”. O Banco Pátria atua em serviços de assessoria a empresas e na gestão de fundos de private equity, hedge funds e de fundos de investimentos. Para Klini, a estratégia de crescimento focada na classe média baixa do interior, que tenta subir conquistando um diploma universitário exigido pelo mercado de trabalho, é uma das razões do êxito da empresa, numa hora em que a base da pirâmide social conquista mais renda.

Inclusão social – O diretor-presidente da Anhangüera, Antonio Carbonari Netto, traduz a fórmula ao seu modo: “Na minha visão, a Anhangüera é um grande projeto de inclusão social”. Um projeto, esclareça-se, apreciado pelos investidores. Dois lançamentos de ações ocorreram num prazo curto, mostrando o grau de receptividade do mercado aos papéis da empresa. Do lançamento, há 14 meses, até 7 de maio de 2008, as ações da Anhangüera obtiveram uma valorização de 75,2%, enquanto a evolução do Ibovespa foi de 56,9%, na mesma base de comparação. Este é o retrospecto, pois em mercados de risco não há garantia quanto ao futuro. “O sucesso já está precificado nas cotações das ações da Anhangüera”, resume Klini, convencido de que a existência de uma classe média jovem, trabalhadora e afluente é fundamental para o êxito de uma companhia dedicada à educação.

Atualmente a empresa possui 42 campos de estudo distribuídos pelos estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro, além de Brasília. Em 2006, antes portanto de entrar na Bolsa e captar recursos via lançamento de ações, eram apenas 13. Em pouco mais de um ano a Anhangüera acrescentou 29 campos à rede. No mesmo período, o número de alunos saltou de 40 mil para 130 mil, ou seja, cresceu mais de três vezes.

Questão de escala – O crescimento da Anhangüera foi empurrado pela aquisição de faculdades e universidades existentes. Esta é uma prática usual no mercado educacional, que passou a exigir escala. Com a exceção dos centros universitários privados de maior prestígio, renomados pela excelência do ensino, os demais têm de cobrar mensalidades compatíveis com custos e demanda. A renda da classe média baixa trabalhadora cresceu, mas não a ponto de tornar secundário o preço na hora de optar pela escola, raciocinam os especialistas. Por isso, as redes de ensino têm de derrubar despesas e reduzir mensalidades. “Nossa mensalidade média gira em torno de R$ 400, e a de nossa concorrentes gira ao redor de R$ 500 explica Scavassa.

A diluição dos custos fixos é o segredo das redes amplas. No caso de Anhangüera, ela se autodefine como capaz de desenvolver um projeto pedagógico unificado e um modelo de administração padronizado, escalonável e centralizado na sede. Além disso, faz avaliações periódicas da qualidade dos serviços oferecidos. “Acreditamos que o foco na qualidade do ensino superior por preços acessíveis para jovens trabalhadores com renda média e média-baixa estimula o aumento do número de matrículas e melhora os níveis de retenção e satisfação de alunos”, sintetiza Scavassa.

A rede dá prioridade às unidades localizadas próximas ao grupo populacional alvo de sua estratégia. O projeto pedagógico oferece conhecimentos e qualificações valorizadas pelo mercado de trabalho. Os cursos estão concentrados, o máximo possível, no período noturno, privilegiando o principal público-alvo – jovens que trabalham durante o dia para pagar seus estudos.

A marca é essencial –“Ao tornarmos a marca referência em boa parte do País, tornamo-nos conhecidos por mais alunos em potencial e seus futuros empregadores”, diz Scavassa. O trabalhador pode movimentar-se pelo País, mas o diploma será reconhecido em qualquer lugar. Uma pesquisa identificou 80 cidades passíveis de receber investimentos da Anhangüera. As perspectivas são de mais que dobrar o número de municípios onde a empresa está hoje instalada, preservando as expectativas de expansão futura.

Perguntas:

a) O que move as decisões empresariais apresentadas no texto?

b) O que são economias de escala?

c) Quais as associações entre economias de escala e competitividade das empresas apresentadas no texto?

 

      

Comentário do autor para professores e alunos:

O início dos livros A Administração de Custos, Preços e Lucros e Gestão de Custos e Formação de Preços discutem os principais aspectos relativos à análise de custos e preços para a tomada de decisões.

No livro A Administração de Custos, Preços e Lucros leia o Capítulo 8 antes de responder às perguntas.

No livro Gestão de Custos e Formação de Preços estude com atenção o Capítulo 12.

 

 

Referências:

Informações complementares podem ser vistas no link:

http://www.bovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/106/Empresa.shtml