Recursos didáticos auxiliares (Casos para aulas)

 

 

Quanto vale o Banespa?
Uma análise do conceito de valor em Finanças 
 

 

Tópicos explorados: Avaliação de Empresas, Avaliação de Investimentos.

Adriano Leal Bruni
albruni@minhasaulas.com.br

 

Um dos mais importantes conceitos de Finanças refere-se ao que é valor.

No Brasil, polêmicas associadas ao conceito de valor podem ser vistas na compra do Banespa pelo Santander. O banco espanhol comemorou o fato de ter ofertado muito mais pelo banco paulista.

Estude as definições de valor nos livros indicados, leia as informações apresentadas a seguir e responda às perguntas formuladas.

Santader compra Banespa


Disponível em: <http://www.radiobras.gov.br/anteriores/2000/sinopses_2111.htm>. Acesso em: 01 nov. 2008.

Jornal do Brasil de 21/11/2000. Em leilão de dez minutos, com lance de R$ 7,05 bilhões, 281% acima do preço mínimo fixado, o banco espanhol Santander Central Hispano arrematou o Banespa e pulou da quarta para a terceira posição no ranking das maiores instituições financeiras privadas no Brasil. O Bradesco ofereceu R$ 1,86 bilhão, o Unibanco R$ 2,1 bilhões e o Itaú desistiu. O diretor do Santander, Marciel Portela, disse que tinha pago "o preço correto". "Ágio da vitória". O resultado espetacular do leilão de privatização do Banespa desqualificou os argumentos contrários à venda. Quando o leiloeiro abriu o envelope com o lance do Banco Santander, de R$ 7,050 bilhões, ficou provado que a polêmica sobre o preço mínimo não fazia sentido. O preço base é mero valor de referência, e pouca influência exerce sobre o preço final. Os espanhóis não se intimidaram com o noticiário sobre a pouca transparência nas contas do Banespa. Dispostos a investir pesado no Brasil, pagaram para ver, com ágio de 281,02%. Que fique a lição: o que determina o valor do bem a ser leiloado é o apetite dos interessados. E este só se conhece ao bater do martelo.

Folha de São Paulo de 21/11/2000. Santander leva Banespa por R$ 7 bi. O banco espanhol Santander pagou R$ 7,050 bilhões para adquirir o controle acionário do Banespa, em leilão na Bolsa do Rio. Foi o maior valor em reais pago em uma privatização, que teve ágio de 281,02%. A aquisição pelos espanhóis surpreendeu o mercado. Acredita-se que a venda provocaria a disputa pela liderança do ranking dos bancos privados. Bradesco e Itaú, primeiro e segundo colocados, eram favoritos. No leilão, só Santander, Unibanco e Bradesco apresentaram propostas. O Unibanco ofereceu R$ 2,1 bilhões, e o Bradesco, R$ 1,86 bilhão. Itaú e Safra nada ofereceram. Em sigilo, o Itaú já havia dito ao Governo que desistira da disputa, por achar o preço elevado. A saída fez com que o Bradesco baixasse sua oferta. O Santander, que decidiu no fim-de-semana comprar o Banespa, assumiu o terceiro lugar no ranking de bancos privados, passando o Unibanco.Após a aquisição, as ações do Santander caíram 6,86% na Bolsa de Madri. Em São Paulo, os papéis de Banespa e Bradesco subiram. O dólar caiu 2,49% e foi vendido a R$ 1,918. Keith Grant, porta-voz do Santander para a América Latina, definiu o leilão do Banespa como "a grande oportunidade" para o banco ocupar posição importante no Brasil. Com a compra, o Santander assumirá 8,5% do mercado. A estratégia mundial do banco, para ser competitivo, é deter ao menos 10% dos mercados de que faz parte. O Santander diz que pretende manter a rede de agências do Banespa, o que deve reduzir o número esperado de demissões. "Surpresa espanhola". A agressividade com que o banco espanhol Santander arrematou o Banespa, no leilão de ontem, ainda vai demandar tempo para ser compreendida. Os R$ 7,05 bilhões oferecidos contrastam tanto como preço mínimo fixado pelo Governo, R$ 1,85 bilhão, como com as ofertas dos outros concorrentes (a maior delas foi de R$ 2,1bilhões). O que os espanhóis levaram em conta para oferecer proposta 281% acima do preço mínimo? A situação financeira do Banespa não era conhecida em seus detalhes. Futuros "esqueletos" podem estar escondidos no banco paulista e, nesse caso, teriam de ser assumidos pelo comprador. Esse foi um motivo alegado por outros bancos estrangeiros ao desistirem de disputar o Banespa.

O Estado de São Paulo de 21/11/2000. Ágio do Banespa dá mais folga às contas externas. Surpreendendo todos na Bolsa do Rio, o espanhol Santander arrematou ontem o Banespa com lance de R$ 7,05 bilhões, equivalente a ágio de 281% sobre o preço mínimo de R$ 1,85 bilhão. O segundo maior lance foi do Unibanco, com R$ 2,1 bilhões. O banco espanhol estava decidido a ganhar: foi o único concorrente a comparecer com executivo de alto escalão e o primeiro a entregar o envelope com o lance. Com a compra, assume o terceiro lugar entre as instituições financeiras privadas do País. Nas atividades de varejo, a meta do Santander é crescer nas regiões Sul e Sudeste. O sucesso do leilão do Banespa derrubou o dólar e as projeções de juros, e fez a bolsa paulista fechar em alta de 1,23%. O impacto maior ocorreu no mercado de câmbio, com a expectativa de entrada de US$ 3,6 bilhões: o dólar recuou 2,4%, cotado por R$ 1,918. A taxa de juros das operações prefixadas de um ano, indicada pelos contratos de DI a termo, caiu de 17,91% para 17,55%.

O Globo de 21/11/2000. Santander compra Banespa por R$ 7 bi. Com uma oferta que surpreendeu o mercado, o banco espanhol Santander arrematou ontem o Banespa por R$ 7,05 bilhões, o que representa um ágio de 281,02% sobre o preço mínimo (R$ 1,850 bilhão). Esse foi o maior valor pago por uma empresa estatal brasileira privatizada. Com a compra, a instituição espanhola tem agora R$ 56,6 bilhões em ativos e passou da quinta para a terceira posição no ranking privado nacional, deixando para trás o Unibanco. "Nosso empenho para vencer o leilão demonstra confiança no Brasil, no seu futuro e na solidez do sistema financeiro", disse o diretor do Santander para a América Latina, Marciel Portela. Os novos donos do Banespa garantiram que não pretendem fechar agências e informaram que haverá poucas demissões. Entretanto, eles já enfrentam uma ameaça de greve: os funcionários decidiram parar no dia 28, caso o Santander não concorde com uma série de reivindicações, entre as quais estabilidade por dois anos. Além do vencedor, participaram da disputa Bradesco e Unibanco, que ofereceram, respectivamente, R$ 1,86 bilhão e R$ 2,1 bilhões. O Itaú, apontado pelo mercado como um dos favoritos, sequer enviou representantes à Bolsa de Valores do Rio. A ausência, segundo o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, não decepcionou o Governo. A venda do Banespa, disse ele, encerra o ciclo de consolidação do setor bancário no Brasil: "O Santander teve a oportunidade de levar o que era a jóia da nossa Coroa".O sucesso do leilão derrubou a cotação do dólar para R$ 1,916, a menor deste mês.


Gazeta Mercantil de 21/11/2000. A fabulosa tacada global do Santander. Com fogos de artifício e champagne, o Banco Santander comemorou ontem à noite, em sua sede, na zona sul de São Paulo, a compra do Banespa. O banco espanhol pagou R$ 7,05 bilhões, valor 2815 acima do preço mínimo para arrematar o banco paulista. O preço surpreendeu concorrentes e analistas. A segunda maior oferta foi do Unibanco, R$ 2,1 bilhões. O Bradesco só apresentou sua proposta de R$ 1,86 bilhão no último instante, esperando o lance do Itaú, que não compareceu.


Santander afirma que compra de Banespa reforça expansão

Segunda, 20 de novembro de 2000.

Disponível em: <http://www.terra.com.br/economia/2000/11/20/108.htm>. Acesso em: 07 ago. 2008.

A compra do Banespa faz parte da estratégia do Grupo Santander Central Hispano de reforçar sua presença no Brasil, informa o site da instituição na Internet em um comunicado divulgado hoje.  ``O Brasil é fundamental para os nossos negócios na América Latina. Nosso objetivo sempre foi aumentar nossa presença e alcançar uma posição de liderança neste mercado'', afirmaram os co-presidentes do Santander, José María Amusátegui e Emilio Botín.

O Santander está presente no Brasil desde 1982, mas somente na década de 90 começou a ampliar suas operações no país. Em 1991, incrementou suas atividades de tesouraria e mercados de capitais. Em 1997, comprou o Banco Geral do Comércio, iniciando sua investida no varejo bancário. Em 1998, o Santander ampliou sua participação no varejo adquirindo o Banco Noroeste. E, em 2000, continuou esse processo com a compra do Grupo Financeiro Meridional-Bozano,Simonsen.
Na manhã desta segunda-feira, o Santander arrematou o Banespa por R$ 7,050 bilhões em leilão de privatização realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Segundo o comunicado do Santander, o Banespa é agora o principal banco privado de São Paulo, que ``é um dos eixos fundamentais do corredor de riqueza do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e Chile''.
Com a aquisição do Banespa, o Santander se converte no terceiro maior banco privado do Brasil, com 30 bilhões de dólares em ativos, US$ 9,5 bilhões em depósitos, US$ 5,2 bilhões de créditos e US$ 6,6 bilhões em fundos administrados, informa o banco.

O Santander também informa que, com o Banespa, ele passará a ter uma rede de 1.970 pontos de venda, com 900 agências nos Estados do Sul e Sudeste, atingindo uma cota de mercado de 7,7% nessas regiões.
Nas mesmas regiões do país, o Santander passará a ter 9% dos ativos, 7,2% de depósitos, 6% em fundos de investimentos e 5% em crédito de clientes. No Estado de São Paulo, a instituição terá participação de 9,4% de ativos, 11,2% de depósitos, 10,1% em fundos e de 4,8% em crédito.

O Santander está presente em 12 países latino-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, México, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela. Com o Banespa, o banco passa a ter 22 milhões de clientes na América Latina, ativos de US$ 113 bilhões, depósitos de US$ 67 bilhões e fundos de investimentos de US$ 14,7 bilhões. No total, o Santander passa a administrar US$ 91,7 bilhões em poupança na América Latina, uma cota de 10,4%. O total de crédito na região passa a ser de US$ 49 bilhões de dólares, correspondente a uma cota de 10,5%. O banco espera concluir este ano com um resultado atribuído --depois dos impostos e pagamento a minoritários-- de US$ 1,0 bilhão de dólares, duplicando em dois anos o resultado líquido atribuído de 1998.

 

Santander compra Banespa com 281,02% de ágio.

Segunda, 20 de novembro de 2000.

Disponível em: <http://www.terra.com.br/economia/2000/11/20/047.htm>. Acesso em: 07 ago. 2008.

Com o lance espetacular de R$ 7,05 bilhões, equivalente a um ágio de 281% sobre o preço mínimo de R$ 1,85 bilhão, o Banco Santander arrematou hoje o Banespa, e assumiu o terceiro lugar no ranking das instituições privadas do País. No mais aguardado leilão de privatização desde a venda do Sistema Telebrás, era difícil encontrar alguém que não tivesse ficado de queixo caído, hoje, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, depois de aberta a proposta do Santander. A oferta simplesmente estava bilhões de reais à frente dos concorrentes. O lance do segundo colocado, o Unibanco, foi de R$ 2,1 bilhões, com ágio de 13,5% sobre o preço mínimo, e o do Bradesco, de R$ 1 860 bilhão, com ágio de 0,53%. O Itaú não apareceu.

Com os R$ 7 bilhões do Banespa, o volume dos investimentos feitos pelo banco espanhol no Brasil deve superar os R$ 9 bilhões, pelas estimativas da consultoria Austin Asis. O Santander não divulga esse valor. Mas somente em aquisições, o banco espanhol já desembolsou R$ 257 milhões pelo Banco Geral do Comércio; R$ 500 milhões pelo ex-Noroeste; e cerca de R$ 1,2 bilhão pelo Grupo Meridional, que inclui o Banco Bozano, Simonsen. Esses volumes não levam em conta os aportes de capital nas instituições adquiridas.

Ousadia - O maior conglomerado financeiro espanhol foi decidido a ganhar no leilão. O primeiro sinal foi a presença do presidente da instituição, Gabriel Jaramillo, na Bolsa: era o único executivo de alto escalão dos bancos concorrentes que foi até o Rio de Janeiro. O banco também foi o primeiro a entregar o envelope com a proposta de compra - fato pouco comum, já que nos leilões os corretores deixam para fazer a entrega nos segundos finais, depois de terem a certeza de quem são os demais participantes.

O Santander não quis correr riscos. Diferentemente do Bradesco que entregou seu envelope somente depois de se certificar de que o Itaú não estava na parada. Aliás, a falta total de apetite dos nacionais surpreendeu tanto quanto o lance do Santander. O Banespa fez o Santander ampliar sua participação no sistema financeiro nacional de 3,1% para 5,2%, superando o Unibanco (4%), ficando atrás apenas do Bradesco (8,4%) e do Itaú (5,5%).
No início deste ano, em uma entrevista ao Estado, Jaramillo afirmou que o Banco Santander Central Hispano (BSCH) tinha como meta conquistar 10% do mercado latino-americano. Se o Santander alcançasse 5% do mercado nacional, atingiria a meta fixada pela matriz. A meta, no entanto, era para ser cumprida até 2003. O exectivo do banco no Brasil ganhou dois anos para o grupo nessa corrida pelo mercado.

A estratégia é estar presente em toda a América Latina, nos mais diversos segmentos da atividade bancária. No varejo, apenas no México e no Brasil, onde o crescimento está concentrado nas regiões Sul e Sudeste. A compra do Meridional, no início do ano, já definiu a posição do grupo no Rio Grande do Sul e o Banespa, agora, complementa, a posição do banco em São Paulo, pois boa parte da rede agências está concentrada no interior do Estado, enquanto a rede do Santander se restringe à capital. Por isso, o presidente do banco afirmou que "pretende crescer com o Banespa" e não fechar agências. O executivo também não fez menção a possíveis demissões. As regiões Sul e Sudeste, além de importantes do ponto de vista econômico, fazem a ponte com o Mercosul.

O novo controlador do Banespa vai conservar a marca. "O Banespa é o maior banco do Estado de São Paulo, um dos maiores do País e está profundamente ligado à história do desenvolvimento de São Paulo", disse Jaramillo. Bastante evasivo, o executivo evitou falar de planos. Mas deu algumas pistas. Além de manter a marca do banco, afirmou que o perfil da carteira de créditos do Banespa "será o mesmo dos clientes no interior de São Paulo". Um sinal de que o banco vai manter a carteira de crédito agrícola, que é bastante expressiva. Disse também que não há preocupação com excessos de créditos podres.

O executivo afirmou que em momento algum o Banco Central da Espanha manifestou preocupação com os investimentos feitos pelo banco no Brasil por causa da crise na Argentina. Tanto o BSCH como o seu rival Banco Bilbao Vyzcaia Argentária (BBVA) compraram alguns bancos no México (além do Brasil) , neste ano, aumentando a exposição das instituições ao risco da América latina. Este teria sido um dos motivos da desistência do BBVA de concorrer no leilão do Banespa. Jaramillo descartou a possibilidade de haver divergências na cúpula da matriz quanto a participação no leilão. Mas fontes do banco confirmaram que havia essa divisão. O fato é que ela acabou vencida e se não fosse o lance do Santander, o maior leilão do setor poderia ter se transformado num grande fiasco.

 

Perguntas:

a) O que é valor em Finanças?

b) Por quê existem diferentes estimativas de valor na avaliação do Banespa?

c)  Qual a razão da comemoração espanhola?

 

        

Comentário do autor para professores e alunos:

Os livros Avaliação de Investimentos e As Decisões de Investimentos apresentam a importância da análise do valor em Finanças. Estude o conteúdo dos livros e tente entender por quê o conceito de valor pode ser alterado em função dos olhos de quem avalia.

 

Referências:

Informações complementares podem ser vistas no link:

http://www.terra.com.br/economia/2000/11/20/047.htm