Recursos didáticos auxiliares (Casos para aulas)

 

 

Um fio de bigode sem valor

Analisando o caso Arthur Andersen
 

 
Tópicos explorados: Auditoria, Fraude.

Adriano Leal Bruni
albruni@minhasaulas.com.br

 

A auditoria externa exerce importante papel no auxílio ao fornecimento de confiabilidade sobre as informações apresentadas aos stakeholders ou interessados no negócio.

Problemas graves ocorrem quando a firma de auditoria externa deixa de atuar como esperado.

Leia as informações apresentadas a seguir e responda às perguntas formuladas.

 

O preço da fraude


A Arthur Andersen propõe pagar 800 milhões de dólares para se livrar das falcatruas na Enron

Disponível em: http://veja.abril.com.br/270202/p_041.html. Acesso em: 30 jul. 2008.

A Arthur Andersen, uma das mais prestigiosas empresas de auditoria do mundo até se enroscar na maquiagem de números da gigante americana de eletricidade, anunciou que pode pagar até 800 milhões de dólares para amortizar os prejuízos de acionistas, credores e empregados da Enron, que faliu há dois meses. Isso não cobre nem 2% das perdas estimadas nesse naufrágio e está a enorme distância do que querem as pessoas físicas e jurídicas prejudicadas pelo complô entre os administradores da companhia elétrica e os auditores. Mas, se o acordo vier a ser aceito, será a maior indenização já paga por uma empresa de auditoria em todo o mundo. Propostas anteriores da Arthur Andersen foram todas recusadas, e poucos analistas acreditam que esta tenha destino diferente. Ela dá, porém, uma idéia do desespero e do risco de colapso instalados na firma de auditoria.

Clientes continuam abandonando o portfólio da empresa, registrou na quinta-feira o Wall Street Journal. A Andersen faturou 4,5 bilhões de dólares na América do Norte no último ano fiscal – um décimo do rombo estimado. A empresa tem problemas até para atrair estagiários. A derrocada da Enron acertou uma viga do capitalismo: a que sustenta a transparência dos números escorada na independência dos auditores. A companhia escondia dívidas da ordem de bilhões de dólares e turbinou seus lucros por um período ainda ignorado. O auditor responsável pelos contatos com a Enron fez desaparecer documentos comprometedores depois de se dar conta de que o barco afundava.

A Enron foi à falência após tentar socorrer-se com a ajuda do primeiro escalão do governo americano. O então chefe da Enron, Kenneth Lay, tinha uma amizade quase fraternal com o presidente George W. Bush. No passado, foi empregador de vários dos atuais ministros e deu gordas contribuições a campanhas eleitorais. A Enron doou 5,9 milhões de dólares a políticos desde 1989, para 188 dos 435 deputados e 71 dos 100 senadores do Congresso dos Estados Unidos. Só Bush recebeu 623.000 dólares entre 1993 e 2001. Tudo aparentemente estava declarado na prestação de contas de campanha, sem ilegalidade, mas parece claro que essa generosidade abriu portas e facilitou reuniões quando a Enron tentou achar salvação nos cofres federais.

Os que mais perderam até agora foram os credores, acionistas e empregados. Um exemplo: Charles Prestwood trabalhou 33 anos para a Enron. Ao se aposentar, saiu com ações da empresa no valor de 1,3 milhão de dólares. Era o prêmio por sua dedicação. Como a maioria dos milionários, Charles levava uma vida despreocupada e vivia dos rendimentos dessa poupança. Hoje, seus papéis valem apenas 8.000 dólares e Charles foi aos tribunais para reaver o que considera ter perdido como produto de uma fraude. Isso aconteceu com todos os que possuíam ações da gigante do setor elétrico. No Estado de Connecticut, no nordeste dos Estados Unidos, mesmo quem não tinha nada a ver com a Enron está ajudando a pagar a conta. Na semana passada, a empresa de coleta de lixo do Estado aumentou as taxas em setenta cidades para tentar cobrir um rombo de 220 milhões de dólares, fruto de um negócio com a Enron.

 

Perguntas:

a) Qual a importância da auditoria para a gestão financeira de uma empresa?

b) Qual a razão para os problemas vividos pela Arthur Andersen?

c) O que foi feito no Brasil com o objetivo de amenizar problemas vividos como o retratado no texto?

 

      

Comentário do autor para professores e alunos:

O primeiro capítulo do livro Avaliação de Investimentos discute os objetivos de Finanças e os conflitos presenciados na prática. Estude o capítulo e associe os conceitos com o caso da Arthur Andersen.

 

Referências:

Informações complementares podem ser vistas no link:

http://economiaeverywhere.blogspot.com/2005_10_16_archive.html